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Vinho de Talha e Vinhas Velhas no Alentejo: o que mudou

Talhas de barro numa adega alentejana com vinhas velhas ao fundo.

Vinogrande |

Vinho de Talha e Vinhas Velhas no Alentejo: o que mudou

A Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) criou as denominações «Vinhas Velhas» e «Vinhas Centenárias» e alargou a possibilidade de certificação do Vinho de Talha a toda a região do Alentejo. As medidas foram aprovadas por unanimidade em Conselho Geral da CVRA e integram o Plano Estratégico dos Vinhos do Alentejo 2026–2031, pensado para aumentar o valor da fileira vitivinícola e reforçar o posicionamento dos vinhos alentejanos no mercado nacional e internacional.

Para quem compra vinho com critério — e para uma garrafeira no Minho, como a Vinogrande, em Moledo — isto não é um pormenor de regulamento. É um enquadramento mais claro para distinguir património verdadeiro (vinhas antigas, talhas de barro, um método com mais de dois mil anos) daquilo que, no rótulo, às vezes é só uma expressão comercial. A fonte é a própria CVRA, divulgada pelo SAPO.

O que mudou

Mudaram duas coisas, ao mesmo tempo, com o mesmo objectivo: proteger o património vitivinícola alentejano e criar condições para vinhos com mais valor acrescentado.

A primeira é a criação de denominações para vinhos de parcelas antigas. Até aqui, «vinhas velhas» aparecia em muitos rótulos sem um critério único. A CVRA passa a ter um enquadramento próprio: «Vinhas Velhas» e «Vinhas Centenárias» deixam de ser uma menção vaga e passam a designações com regras associadas à idade da vinha.

A segunda é o alargamento da certificação do Vinho de Talha. A principal novidade, segundo a CVRA, é a possibilidade de certificar Vinho de Talha produzido em qualquer uma das sub-regiões do Alentejo. Antes, essa certificação estava mais limitada; agora cobre toda a região vitivinícola. O trabalho foi feito nos grupos técnicos da CVRA, com auscultação de enólogos especialistas nesta tipologia, historiadores e outros profissionais do sector, para definir com rigor os critérios do método de produção.

As duas medidas fazem parte da estratégia de premiumização dos Vinhos do Alentejo. Vinhos de vinhas antigas e Vinho de Talha estão, tradicionalmente, associados a menores rendimentos e a processos mais exigentes, com impacto nos custos. O novo enquadramento pretende criar condições para produzir e comercializar vinhos com características diferenciadoras — e, portanto, com mais valor.

Vinhas Velhas vs Vinhas Centenárias

Vinhas Velhas aplica-se a vinhas com, no mínimo, 35 anos. É um limiar de idade: a parcela tem de ter pelo menos três décadas e meia. Para quem compra, aponta para vinhas já adultas, em regra com menor produtividade.

Vinhas Centenárias é mais restrita. Não basta a vinha ser «muito velha» no discurso da adega: a denominação é atribuída a vinhas com registo anterior a 1931. Há um critério documental, de cadastro, e não apenas uma estimativa. É património que atravessa gerações, no sentido literal.

A CVRA diz que, com estas denominações, pretende contribuir para a preservação desse património, reconhecer o valor das vinhas mais antigas da região e reforçar a identidade dos Vinhos do Alentejo. Para o consumidor, o ganho é de leitura: quando a menção estiver certificada, deixa de ser um adjectivo solto no contra-rótulo e passa a uma informação verificável. Não é garantia automática de qualidade no copo — uma vinha antiga mal conduzida não faz um grande vinho — mas diz-nos de que material estamos a falar, com um critério público.

Vinho de Talha

O Vinho de Talha é uma das expressões mais antigas da tradição alentejana. A produção mantém-se na região há mais de dois mil anos. O método distingue-se pela utilização de talhas de barro — ânforas de cerâmica — no processo de vinificação, e é um dos elementos mais característicos do património vitivinícola do Alentejo.

O que a CVRA fez agora não foi inventar o método. Foi defini-lo com rigor para efeitos de certificação e alargar essa certificação a toda a região. Ao fazê-lo, reconhece a diversidade de territórios onde o Vinho de Talha continua a ser produzido e cria condições para o afirmar como produto diferenciador dos Vinhos do Alentejo — não como curiosidade de uma zona só, mas como património da região inteira.

«Talha» no rótulo também já foi usada com liberdade. Uma certificação regional, com critérios de método acordados por técnicos, enólogos e historiadores, permite distinguir o vinho que segue essa tradição daquele que apenas a evoca. Não substitui a prova; organiza a informação. A CVRA não esconde o lado económico: menores rendimentos, processos mais exigentes, custos mais altos. Um Vinho de Talha certificado não tem de ser barato para ser honesto. Tem de ser reconhecível.

«O reconhecermos o valor das nossas vinhas mais antigas e ao definirmos, com rigor, o método de produção do Vinho de Talha, estamos a preservar um património único e a criar condições para o desenvolvimento de vinhos premium, reforçando a diferenciação, a competitividade e a criação de valor para os Vinhos do Alentejo.»

— Luís Sequeira, presidente da CVRA

O que isto significa para quem compra

Na prática, estas medidas valem sobretudo como ferramenta de leitura. Quando encontrar «Vinhas Velhas» num vinho alentejano certificado, o critério passa a ser objectivo: vinha com 35 anos ou mais. Quando encontrar «Vinhas Centenárias», o critério é ainda mais apertado: registo anterior a 1931. São dois patamares, não um sinónimo.

O Vinho de Talha deixa de estar preso a uma geografia mais estreita de certificação. Pode ser produzido e certificado em qualquer sub-região do Alentejo, desde que cumpra o método. Para quem gosta desta tipologia, isso alarga o mapa — e, com o tempo, deve tornar mais fácil encontrar garrafas com a menção oficial.

Premiumização não é um eufemismo para «mais caro sem explicação». A CVRA liga-a a menores rendimentos e a processos mais exigentes. Quem compra deve pedir a história completa: idade da vinha, método, certificação. Nada disto substitui o gosto pessoal: a certificação ajuda a saber o que está na garrafa; a prova, o prato e a ocasião decidem se é a garrafa certa.

Na Vinogrande

A Vinogrande é uma garrafeira em Moledo do Minho. Acompanhamos o Alentejo com a mesma atenção com que acompanhamos o Douro ou o Vinho Verde: não por moda, mas porque é uma das regiões que os nossos clientes mais pedem, e porque o património — vinha antiga, talha, sítio — é exactamente o tipo de informação que usamos quando recomendamos uma garrafa.

Estas denominações da CVRA ainda estão a entrar no circuito comercial. Não inventamos existências que ainda não temos no armazém, nem colamos um selo novo a vinhos que não o tragam. Estamos a falar com produtores e fornecedores para perceber que referências vão surgir com «Vinhas Velhas», «Vinhas Centenárias» e Vinho de Talha certificado em toda a região — e quais fazem sentido nesta casa.

Enquanto isso, a selecção de Alentejo que já temos continua disponível na colecção Vinhos do Alentejo. Se procura um tinto de copo largo, um branco com fôlego de mesa ou simplesmente um Alentejo honesto para a semana, comece por aí. E se quiser talha ou vinha antiga com critério, fale connosco: é esse o ofício de uma garrafeira. Envio gratuito em Portugal continental a partir de 80 €. Loja em Moledo do Minho.

Fonte: Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), via SAPO.

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